Direção: Gary Ross
Distribuidora: Paris Filmes
Orçamento: US$ 100 milhões
Estreia: 23 de Março de 2012
Sinopse: 'Jogos Vorazes' se passa um futuro distante, depois da extinção da América do Norte, quando sua população é dividida em 12 distritos.
Todos os anos nas ruínas de onde outrora fora a América do Norte, a nação de Panem força cada um de seus doze distritos para enviar um menino e uma menina para competir nos Jogos Vorazes. Parte entretenimento, parte tática de intimidação do governo, os Jogos Vorazes são um evento televisionado em que os "Tributos" devem lutar um contra o outro até que um sobrevivente permanece.
Como represália por um levante contra a capital, a cada ano os distritos são forçados a enviar um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para participar dos Jogos Vorazes. As regras são simples: os 24 tributos, como são chamados os jovens, são levados a uma gigantesca arena e devem lutar entre si até só restar um sobrevivente. O vitorioso, além da glória, leva grandes vantagens para o seu distrito.
Curiosidades:
» A adaptação do sucesso mundial da escritora Suzanne Collins, intitulado 'Jogos Vorazes' (The Hunger Games).
» A antes mesmo da estreia do primeiro filme, a Lionsgate está planejando transformar a trilogia de livros em quatro filmes. O estúdio planeja seguir a mesma linha de 'Harry Potter e as Relíquias da Morte' e 'Amanhecer', e dividir o último livro em dois filmes.
» Gary Ross ('Seabiscuit') dirige, à partir de um roteiro da escritora Collins e Billy Ray ('Intrigas de Estado').
» Trata-se do primeiro livro de uma trilogia.
O divórcio entre o filme “Jogos vorazes” e o best-seller homônimo que lhe serve de inspiração acontece logo na cena inicial do primeiro. Num estúdio de tevê futurista, avistamos dois homens, de traje e aparência extravagantes, conversando sobre a competição que virá. O que acompanhamos na tela, assim, se passa distante dos olhos da protagonista, e este é um dado fundamental: a versão literária era narrada todo o tempo pela personagem central, e ao leitor só era dado ver aquilo que ela enxergava e contava.
Mas isso não significa que a tônica desta adaptação cinematográfica será a do atrevimento. As ousadias serão raras ao longo da projeção, e a reconciliação entre uma obra e outra não tarda, a ponto de a “fidelidade” do longa ao material de origem ser talvez seu traço mais marcante. Com estreia agendada para o dia 23, o filme conforta-se em ilustrar com imagens em movimento o conteúdo das páginas, com direito a liberdades escassas. A opção, por si só, não implica um equívoco. Mas ilustrar difere de simplificar. A literatura de Suzanne Collins é trivial – ainda que seja atraente e tenha estofo –, só que resulta mais contundente que as sequências oferecidas pelo diretor Gary Ross.
Foi no final de 2008 que Suzanne Collins lançou seu “Jogos vorazes”, episódio inaugural de uma trilogia de inegável apelo, sobretudo entre o público infanto-juvenil. O que se propõe é um enredo que agrega mitologia, reality show, guerras, história e comentário político (regimes totalitários, em suma). A ação tem lugar numa América do Norte de um futuro pós-apocalíptico. Nessa nação, batizada Panem, acontece um torneio anual de que participam 24 adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos – ganha quem restar vivo, e tudo é transmitido pela tevê. A seleção dos gladiadores se dá por sorteio, e a absoluta maioria dos elegíveis, por razões óbvias, vê com temor a ideia da convocação.
Por vias tortas, Katniss Everdeen (no filme, vivida por Jennifer Lawrence), a protagonista, acaba sendo chamada à 74ª edição dos Jogos Vorazes. É esta a narradora: uma menina pobre de 16 anos que, uma vez órfã de pai, assume o papel de arrimo da família. Ela se garante graças às habilidades com o arco e flecha.
A narrativa de Suzanne Collins poderia ser descrita como direta, franca. Ou carente de recursos. Fato é que ela usa a seu favor a ausência de artifícios. Para garantir o interesse e a atenção, privilegia o conteúdo oferecido, em vez da forma. O tempo verbal é o presente, praticamente sem recuos ao passado nem subtramas, e o objetivo é provocar suspense e fazer o leitor partilhar dos dramas que Katniss vai conhecendo. Há a desconfiança com relação aos companheiros de batalha, a necessidade involuntária de exterminá-los, as questões amorosas. E a probabilidade de encontrar a morte, ocorrência frequente na história.
Como também é no filme, e o potencial de repulsa agora é, em teoria, maior: existe um risco mínimo na proposta de mostrar adolescentes assassinando uns aos outros, seja por falta de opção ou por crueldade. Gary Ross, o diretor, acerta ao não tornar o sangue um fetiche. Ou ao menos não apela, na medida em que os embates, embora violentos, não se apresentam em detalhes escatológicos. Na arena, morre-se, e morre-se com brutalidade. Nada de levar plateia às náuseas, entretanto: o alvo é o sentimento de quem assiste, e não propriamente o estômago.
A determinação de “Jogos vorazes”, tudo indica, era respeitar sua fonte, e não se pode culpar o filme por ele não ser o que sequer pretendeu ser. Mas, no cômputo final, restarão poucas sequências na memória do espectador – neste particular, o livro é mais bem-sucedido. O detalhe essencial é que o cinema depende fundamentalmente de imagens, e não de diálogos comoventes reproduzidos com fidelidade e empenho.( FONTE G1).
Vale a pena conferir e leve seu filho junto.
Nota 6,5.
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